Conheça a história do skate e sua cultura

Poucos esportes no mundo foram capazes de levantar uma legião de praticantes que emergiram tão profundamente num estilo de vida e numa comunidade como o skate fez. Sua acessibilidade está acima de cor, credo, gênero ou caminhada de vida. É uma cultura democrática, de muita resistência e fraternidade, com um código moral precioso. Conheça mais da história do skate para se inspirar!

Sidewalk Surfing, 40’s e 50’s

No final dos anos 40, o surfe começava a se tornar um ícone de popularidade nas áreas costeiras dos Estados Unidos, o surf rock começava a despontar, com suas Fender Jaguar, grupos de harmonia vocal inspirados no doo-wop, tudo com uma aura mais jovial, criando uma nova febre.

Skatista de pé com o skate reto na mão direita e segurando o shorts com a mão esquerda

Mas a história do skate ainda não se encontra com o surfe nesse momento. É muito provável que os skates mais rudimentares se originaram dos antigos patinetes de madeira com caixa, as crate scooters, que tinham rodinhas de aço e, sobre o shape, uma caixa com guidões para auxiliar no apoio, sendo artigos infantis.

Ocasionalmente estes scooters foram sendo modificados, as caixas removidas, os shapes afinados e a brincadeira foi ficando mais verticalizada.

O chamado Sidewalk Surf, ou “Surfe de calçada” começou a acontecer nos calçadões de praias californianas durante dias movimentados, e as lojas de surfe da região começaram a customizar alguns boards, fazendo pedidos para empresas de roller, então chamados skate rollers, o que provavelmente dá a origem para o nome que pegou para o skate.

O Skateboarder, anos ‘60 e ‘70.

Nos anos 60 o skate já está dando alguns passos como modalidade. O fascínio pelo surfe acabou dando alguma visibilidade para aqueles surfistas que, no seu tempo fora das águas, gostavam de simular movimentos de surfe sobre os shapes de skate, deslizando nas calçadas e migrando para superfícies que exigiam mais técnica.

A coisa foi ganhando forma e até chegou a surgir uma revista oficial regional, a The Quarterly Skateboarder, que viveu por apenas 4 edições nos meados de 1964, mas a cultura já estava lançada.

Nessa época o interesse ainda estava fortemente ligado à cultura do surfe, de forma que os shapes ainda eram pelados, em plástico ou madeira compensada mais grosseira, com trucks plásticos e rodas de aço. Os skateboarders costumavam andar descalços e se interessavam mais nos slidings e descidas.

Já no começo dos anos 70, a Califórnia efervescia com a cultura do skateboarding. Com as ondas de secas que assolaram os Estados Unidos, muitas piscinas se tornaram espaços para uma prática mais radical do skateboarding, mais vertical, ganhando envergadura aérea e grindings nas bordas.

Uma das coisas que veio para mudar tudo foi a criação de rodas de poliuretano, que aumentavam a velocidade e deixavam o board mais leve. Com isso o skate também ficou mais acessível para outras superfícies.

Começam a surgir manobras, como ollie, que imprimia todo um novo jeito de se navegar com o board e lidar com obstáculos. Surgia também a modalidade mãe do downhill, o slalom, uma espécie de downhill com obstáculos.

Com a retomada das publicações da Skateboarder e a verticalização da modalidade, skateparks começam a nascer, junto com acessórios mais exclusivos de peças e calçados e roupas, a Vans, por exemplo, nasce nesta época, em Anaheim, na Califórnia.

A radicalização do vert começou a deixar o skate um tanto mais perigoso, o que subiu o custo de seguro das skateparks que espocavam pela região, fazendo com que muitas subissem seus custos ou até fechassem.

Esse foi o segundo momento onde a história do skate deu uma guinada.

Skate nos anos ‘90 e o street

A indisposição das skateparks forçou os núcleos de skateboarders a se reinventarem. Começam a surgir zines sobre skate, com artes originais e marcando pontos de encontro públicos onde era possível praticar o skateboarding de uma forma mais urbana.

Isso fortaleceu e democratizou fortemente a cultura do skate, que mesmo ganhando um tom mais colorido e atóxico nas telas dos cinemas, também foi criando uma subcultura underground que foi absorvida por outros movimentos em ascensão, como o punk e mais posteriormente, nos anos 90, o hip hop.

As rodas começavam a ficar mais rígidas para lidar com o concreto urbano, os shapes de compensado mais flexíveis, largos e simétricos, os trucks mais resistentes, o skate como conhecemos hoje começou a ganhar suas formas no começo dos anos 90.

A febre do skate vert ganha as telas de TV com os X-Games de 1995 mas nas ruas o que impera é o street, com uma série de tricks novos para serem praticados no asfalto e nas calçadas, os flips se popularizam, vários locais urbanos se tornam gaps e não demora para que os donos de comércios e prefeituras comecem a se indispor com as comunidades de skatistas, enquadrando muitas atividades na lei de vandalismo por causa do desgaste de algumas áreas, causando choques ocasionais com a polícia e uma marginalização do street, enquanto a cena se fortalece no underground como um movimento de resistência urbana.

A cultura do vídeo apropriou o skateboarding no começo dos anos 2000. Os vídeos de skate se tornam cada vez mais bem produzidos e buscados e logo surge Tony Hawk’s Pro Skater, em 1999, popularizando o esporte por todo o globo.

Com a MTV e os videogames, muitos skateboarders se tornam heróis e os pais do skateboarding começam a ganhar reconhecimento, o skate se populariza outra vez e integra a base do streetwear. O skate começa a ganhar um revival e ficar cada vez mais radical e competitivo, fazendo nascer diversos movimentos surreais que desafiam a física e uma integração mundial na cultura do skate.

A vida sobre o board ganha um estatuto ainda mais democrático e de lifestyle, e hoje mistura o clássico com o moderno, o fraterno com o ousado, mostrando que veio para ficar e inspirar diversas gerações.

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